| O Paludismo |
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O paludismo, é uma doença parasitária potencialmente mortal transmitida por mosquitos. Pensava-se antigamente que a doença provinha de terrenos pantanosos fétidos, donde o nome 'malaria' (mau ar). Em 1880, cientistas descobriram a verdadeira causa do paludismo—um parasita unicelular denominado plasmódio. Mais tarde descobriram que tal parasita é transmitido de uma pessoa a outra através da picadela do mosquito fêmea do género Anopheles que necessita de sangue para os seus ovos. Actualmente, cerca de 40% da população mundial—principalmente nos países mais pobres do mundo—corre o risco de contrair o paludismo.
A doença, que antigamente estava muito espalhada, foi eliminada com êxito em muitos países de clima temperado durante os meados do século XX. Encontra-se agora nas regiões tropicais e sub-tropicais e causa anualmente mais de 300 milhões de casos de doença grave e pelo menos um milhão de mortes. Noventa por cento das mortes por paludismo ocorrem na África a sul do Sara—principalmente entre crianças pequenas. O paludismo mata uma criança africana cada 30 segundos. Muitas crianças que sobrevivem a episódios de paludismo grave podem sofrer de incapacidades de aprendizagem ou lesões cerebrais. Mulheres grávidas e seus bebés são especialmente vulneráveis ao paludismo, o qual é uma causa importante de mortalidade perinatal, baixo peso à nascença e anemia materna. Existem quatro tipos de paludismo humano—Plasmodium vivax, P. malariae, P. ovale e P falciparum. As formas P. vivax e P. falciparum são as mais correntes, sendo a P. falciparum o tipo de infecção palúdica mais fatal. O paludismo por P. falciparum é o mais frequente na África a sul do Sara, sendo responsável em grande parte pela extremamente alta mortalidade nesta região. Mas existem também indicações preocupantes da propagação do paludismo por P. falciparum para outras regiões do mundo e seu ressurgimento em zonas onde tinha sido eliminado. O parasita do paludismo penetra no hospedeiro humano quando um mosquito fêmea Anopheles pica para se alimentar de sangue.
No hospedeiro humano, o parasita sofre uma série de alterações que fazem parte do seu complexo ciclo de vida. Durante as suas várias fases, os plasmódios escapam ao sistema imunitário, infectam o fígado e os glóbulos vermelhos do sangue,e transformam-se finalmente numa forma capaz de infectar de novo um mosquito quando este pica a pessoa infectada. No organismo do mosquito, o parasita sofre mais transformações até atingir a fase em que pode de novo infectar um hospedeiro humano quando o mosquito voltar a picar para se alimentar de sangue, ou seja, ao fim de 10 a 14 ou mais dias.
Os sintomas do paludismo aparecem cerca de 9 a 14 dias depois da picadela do mosquito, embora seja variável segundo as diferentes espécies de plasmódios. Geralmente, o paludismo provoca febre, dores de cabeça, vómitos e outros sintomas semelhantes aos sintomas de gripe. Não havendo medicamentos disponíveis para tratamento ou se os parasitas são resistentes aos medicamentos, a infecção pode progredir rapidamente e pôr a vida em perigo. Infectando e destruindo os glóbulos vermelhos (anemia) e bloqueando os vasos capilares que irrigam o cérebro (paludismo cerebral) ou outros orgãos vitais, o paludismo pode ser mortal. Juntamente com o VIH/SIDA e a tuberculose, o paludismo é um dos principais desafios de saúde pública que debilitam o desenvolvimento nos países mais pobres do mundo. Os parasitas do paludismo estão a desenvolver níveis inaceitáveis de resistência a medicamentos sucessivos e muitos insecticidas já não são eficazes contra os mosquitos que transmitem a doença. Anos de investigação sobre vacinas produziram poucas candidatas com perspectivas, e embora os cientistas estejam a intensificar a investigação, produzir uma vacina eficaz ainda levará, no melhor dos casos, anos. A ciência ainda não tem uma arma mágica contra o paludismo e muita gente duvida que possa vir a existir uma solução única. |
